Eu me chamo Antonio. – A entrevista.

Eu me chamo Antonio.
Ele se chama, na verdade.
Não acho que seja necessário a essa altura do campeonato maiores apresentações do que a imagem acima. Vou fazer uma breve síntese baseada na minha experiencia em conhecer só pra contextualizar quem caiu aqui sem para-quedas.
Um dia, rodando pelo tumblr, encontrei uma poesia escrita em um guardanapo, bem simples. Eram poucas palavras, mas juntas elas falavam tanto. Do lado tinha um papel um pouco menor, com a resposta a pergunta mental que eu me fiz. Eu me chamo Antonio. Agora eu sabia quem tinha feito aquilo.
Depois de um tempinho ele começou a aparecer com mais e mais frequência nos sites que eu visitava, depois do tumblr, foi a vez do facebook ser invadido pela poesia sem cerimonia do Antonio. 
Essa semana tomei dois goles de coragem e fui bater na porta do Antonio pra pedir uma entrevista pro Pêssega, e não é que ele topou?!
Então, é com os olhinhos brilhando que eu trago agora a entrevista do Pêssega com o poeta, Antonio.
Quem é o poeta? O que faz, onde vive? Acho que todo mundo no fundo quer saber isso…
Antonio: Atualmente, estou no Rio de Janeiro. Uma parte minha é carioca. Daqui a um tempo não sei onde estarei. Meu sonho é morar numa cidade pequena, colonial. Com a tecnologia, o artista não precisa onde o povo está (como diz aquela belíssima canção do Milton Nascimento), basta estar num lugar que tenha wi-fi. Brincadeira! Estou here, there and everywhere, tipo Beatles.

O que eu faço? Bom, durante a semana eu trabalho num site de compras coletivas. Sou um dos editores de conteúdo. À noite, no ônibus voltando pra casa, rabisco ideias soltas. Deixo-as quietinhas. Às vezes, ficam semanas, meses, abandonadas nas páginas do meu sketchbook até que um belo dia eu entenda que elas mereçam ser relidas e reescritas. As palavras têm um poder de convencimento incrível. Elas pedem em silêncio uma atenção especial. Poeta é escravo do que sente.

Nos finais de semana, gosto de ficar no meu quarto, lendo, e saio para caminhar bem cedo. Caminho ouvindo música. Todo tipo de música: de Roberto Carlos a Led Zeppelin, passando por Cartola, Belchior, Agepê e The National. Anoto tudo o que me vem à cabeça, sem filtrar as ideias, sem censurar as bobagens, sem medo de ser feliz ou infeliz com o verso criado. Quando a cria é sincera, o criado não precisa se envergonhar. 
O que fez começar a escrever? (afinal, todo mundo já rabiscou um guardanapo mas nem sempre saiu poesia )

Eu sempre escrevi. Acho que todo mundo, de alguma forma, sempre escreve. Mesmo quando não escreve, a gente acaba escrevendo algo mentalmente. A diferença é que poucos registram. Esses poucos são “poetas”. Se o que eles escrevem vai agradar ou não, não é a questão. São poetas. Eles nasceram para escrever. E vão escrever até que a morte os separe dos seus versos. Eu não me considero poeta. Não tenho a disciplina, não penso na métrica, na contagem das sílabas e dos versos na hora de rabiscar o que eu sinto. Eu sou um cara que respeita a palavra e é sincero com o que sente. Muitos vão me chamar de poeta. Mas os “verdadeiros poetas” vão me chamar de escritor-pop. O que não deixa de ser ótimo. Faço POPesia. E a poesia precisa ser pop (no melhor dos sentidos) para não morrer. Consigo ser lido por todas as idades, sexos e classes sociais. Isso é lindo demais. Isso é poético demais. Não é?

O que veio primeiro, a página no tumblr ou no face? (aposto no tumblr)

O Tumblr veio primeiro. Não sei o motivo. Acho que foi o formato de blog mais simples que encontrei. Eu tenho um carinho muito especial pelos meus seguidores do tumblr. Foi lá que tudo começou. Foi lá que eu vi que aqueles rabiscos em guardanapos podiam encantar muita gente. Foi uma surpresa, confesso. Até hoje não sei explicar como tudo aconteceu. Foi tão rápido e tão natural, sabe? Nada forçado. Foi indo. E espero que seja um longo caminho!

Eu fiz outras perguntas, e assumo que as fiz porque achei que fosse ficar pouca coisa na entrevista, mas, nunca subestime um poeta. Admito que agora admiro muito mais a poesia sem cerimonia e os versos sem métrica. Em nome do Pêssega e de cada leitor eu agradeço,  pela poesia li(n)da e pela entrevista. 
Agora tá todo mundo querendo abraçar, puxar, por no bolso e levar pra vida o Antonio, né? Pois, aguenta ai um pouquinho e aprecie as imagens que separei pra vocês.
Pedaços

As crias

Eu trocaria a imprecisão dos meus traços pela certeza dos seus abraços.
(Alana Ávila @lanaavila )

6 respostas para “Eu me chamo Antonio. – A entrevista.”

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