O homem-máquina de Will Ferreira

Escolhas
Quem circula pelas ruas de Sorocaba (SP) já se deparou com uma das manifestações artísticas do talentoso grafiteiro Will Ferreira. Autodidata, o rapaz de 29 anos choca os sorocabanos com seus reflexivos grafites e, muitas vezes, perturbadores (vai dizer que você não ficaria com medinho de ver um homem-caveira-máquina gigantesco desses no seu caminho para a feira de sábado de manhã?). O mais legal do trabalho de Ferreira é que eles são sempre críticos, e não daquele jeito cansativo dos pseudocults que te fazem bocejar, mas de uma maneira que consegue ser agressiva e, ao mesmo tempo, poética. “A inspiração vem do dia a dia. Os temas, geralmente, são do cotidiano contemporâneo: o trabalho, a evolução, a vida em sociedade, o sistema democrático injusto e cruel. Por isso as máscaras, os ferros”, explica o artista ao Pêssega.

Através de músculos, ossos e órgãos que se fundem com peças de metal e se mesclam com a poesia das máscaras e a delicadeza dos objetos de cena, o grafiteiro representa a mecanização dos sentimentos e a “maquinização” da humanidade de cada um. O personagem, conta Ferreira, se chama Híbrido, uma forma como ele encontrou para representar sua visão – e indignação – do mundo. “Sempre tive referências artísticas em minha vida, desde uma história em quadrinhos até obras clássicas. Juntando tudo isso saiu este personagem meio bizarro da nossa realidade bizarra”, completa.

Colo mecânico
É uma arte visceral que, não à toa, já está rasgando outras terras. Em fevereiro deste ano, Will foi um dos 40 selecionados para grafitar um dos tapumes das obras de ampliação do Aeroporto Internacional de Viracopos, em Campinas (SP).
Para conhecer outros trabalhos do artista, além dos que a gente mostra aqui e que incluem grafitte, acrílica sobre tela e esculturas, é só visitar o blog dele ou sua página no Facebookson.

(Essa me lembra os Retirantes, do Portinari)

Tédio

Mac Lixo Feliz

Cabeça de vento

Face do Horror. “Só diante da face do horror vocês encontram o seu lado mais nobre. E vocês podem ser tão nobres… Então, vou proporcionar a dor… Vou trazer o horror.” (Constantine)

Criatividade do Hipócrita

Angústia materna

Chuva para todos

Equilibrium

O protetor impotente

Pequeno Rei

O Vendedor de Felicidades

Tarde demais para ser gentil
*Por Thiago Rizan

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