En Puntas, vídeo-instalação de bailarina na ponta de facas

Desde Natalie Portman surtando e arrancando penas do próprio corpo em Cisne Negro, o mundjinho do ballet nunca mais foi o mesmo. Agora, é a vez do artista espanhol multiplataforma Javier Pérez destruir nossas noites de sono e nos deixar na beira da cadeira.
Em parceria com a bailarina Amelie Segarra (que tem um pacto com o demo na minha opinião, não é possível!), Javier construiu um vídeo-instalação surreal. A ~frágil~ bailarina faz uma coreografia estupenda, cheia de drama e intensidade, com sapatilhas com FACAS NAS PONTAS!!! Como se não fosse suficiente, ela ainda faz tudo isso em cima de um piano.
É sensacional a atmosfera de suspense que o vídeo tem e vai construindo no decorrer do tempo. Logo no começo, um homem dá corda em um aparelho que parece tocar aquelas músicas de caixinhas de bailarina (creepy o suficiente para mim). O objetivo do diretor é transformar o teatro, com sua luz aconchegante, em uma gigantesca caixinha de música. É com os movimentos de câmera que ele mostra o lado oposto do palco: “um teatro dolorosamente vazio”. O resto vocês precisam ver para entender o porquê estou surtando com esse vídeo.

E aí? Conseguiu assistir tudo sem se arrepiar nem fazer “ai” mentalmente, nem caras de dor? O que me impressionou são os barulhos e a cadência dos movimentos. A intensidade e a raiva com que ela estraçalha o piano é proporcional à dor que ela sente. Os movimentos chegam a lembrar a força do paso doble. É tudo tão formidável que chego a desconfiar se não é edição, porque não sei como um ser humano (que não seja um X-Men) é capaz daquilo. E lembrando: toda essa dor na busca pela perfeição sem ninguém para reconhecer, porque o teatro está vazio! Entendeu agora quando a descrição diz “um teatro dolorosamente vazio”?
En Puntas é uma obra-prima capaz de emocionar em três minutos e meio de um jeito que muito longa-metragem não consegue. Não podemos esquecer também do magnífico trabalho de direção, edição e sonoplastia de Pérez.
Um dos pontos altos do vídeo é a fusão do assustador som da caixinha de música com os sussurros, gemidos e gritos de dor de Amelie. Na descrição do vídeo no YouTube, Pérez explica que usou a figura misteriosa da bailarina como uma metáfora pela busca da perfeição. “Frágil e cruel. Inicialmente tímida e hesitante, seus passos se tornam mais e mais enfáticos, ameaçadores e violentos, arranhando e cortando a delicada superfície do piano”, ele descreve.
Ainda segundo o texto do vídeo, Pérez pretende revelar a tênue linha que separa conceitos aparentemente impossíveis de se misturar, como beleza e crueldade, fragilidade e violência, cultura e natureza, vida e morte. 
-Alguém mim segura que vou arrebentar a cara dessa vadia!
Por Thiago Rizan

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