Banksy: O gênio sem rosto das ruas

© Banksy.

“Alá a pichação horrorosa que os bandido fizéro no muro da loja do Antenor” (Pê, Vó da)
Apesar de fazer uma canja diliça e um bolinho de chuva de lamber as beiça, minha vovozinha introduziu a eterna discussão da Street Art x Pichação na minha vida, da forma mais creyça possível.
Muito Biotônico Fontoura e doses de bom senso (não sei se exatamente o necessário) mais tarde, cá estou fazendo um post para vocês, não para discutirmos o ponto de vista da Vó Nadir (mesmo porque ela sempre irá te persuadir com algo quentinho saindo do forno), mas sim como forma de reconhecimento de uma arte libertária e um de seus maiores mestres.
Antes de falarmos do lyndro que empresta seu nome para o título do post, gostaria de consolidar a grande premissa desse texto: Toda arte pública – aquela que não se encontra dentro de nenhum museu, galeria, ou, muito menos, requer que vocês ganhe suas dilmas para apreciá-la – não pode de forma alguma abstrair o local onde será colocada.
Assim como os banheiros públicos não selecionam quem vai recostar o popozão em seus vasos sanitários, a arte pública não é voltada para um determinado nicho da sociedade. Podemos considerá-la, em linhas gerais, como uma grande cicatriz exposta das cidades.
Talvez a palavra “cicatriz” metaforize bem onde pretendo chegar. Afinal, por mais que alguns considerem fortemente a necessidade de se fazer uma plástica para removê-la, é inegável que aquela marca nos fará refletir sobre algo, nem que seja um “nunca mais subirei no palquito da buaty e tentarei dar um mosh na gelere, depois de ter tomado algumas tikilas!”.
Para aqueles que andam emendando novelas das 6, 7, 8, 9, 10, 11, 12, 79, “Vale a Pena Ver Denovo”, 6, 7…; e, consequentemente, andam meio alheios do que se passa no mundo, Banksy é o mais famoso grafiteiros anônimo (?) do mundo, nascido em Bristol, Inglaterra, no ano de 1974. Filho de um técnico de copiadoras , ele foi treinado para ser açougueiro mas se envolveu com o grafite no final dos anos 1980. No entanto, fica a ressalva de que toda a história divulgada sobre sua vida não é comprovada, afinal ele concede poucas entrevistas, na maioria das vezes cheias de respostas evasivas.
Quando questionado certa vez sobre sua técnica , Banksy disse:  
“Eu uso o que for preciso . Às vezes isso significa apenas desenhar um bigode no rosto de uma menina em algum outdoor, outras vezes isso significa suar por dias em um desenho complexo . Eficiência é a chave “.
© Banksy.
© Banksy.
Antes de qualquer tipo de designação, Banksy é um investigador da sociedade, que usa a estrutura urbana como a cereja do bolo que valida e dá parte essencial de toda a graça de seu trabalho. Afinal, a relação entre a obra e o espaço físico, deixa de ser entendida apenas como um plano de fundo das intervenções plásticas, para se transformar no próprio balacobaco da obra.
“Mas qual o motivo de escolher muros, tia Pêssega?”, você me pergunta, pequeno gafanhoto.
E pra responder tal pergunta, vou pedir pra que você se ~dipindure~ (amo essa palavra!) de ponta cabeça em alguma barra de aço, pois precisaremos oxigenar a cérebra e relembrar um tikito das aulas de história.
Lembram do modelo de cidades medievais que eram arquitetadas dentro de grandes muros? Acha que tal realidade ficou enterrada junto com a primeira peruca da Cher? Nã-nã-ni-nã-não, meu amô. É só olhar para a sua volta, que você logo perceberá que as sociedades contemporâneas estão cada vez mais adotando o muro como elemento fundamental no processo de ~condominização~ psicológica que boa parte das pessoas andam sofrendo.
Assim sendo, o ir e vir anda cada vez mais comprometido e nada mais justo que uma arte considerada como uma agressão estética, se desenvolva naquilo que nada mais é do que uma agressão urbana.
Como um artista que nasceu entre as entranhas da Street Art, Banksy busca por formas de gotejar ácido sulfúrico no psicológico da população, usando o meio urbano e tirando partido do suporte escolhido: muros, edifícios em mal estado de conservação, etc. O graffiti intervêm em áreas usualmente degradadas como referencial, numa espécie de grito estético que pronuncia aveludada e inconscientemente um “Hey, governante kirido… Issaki tá feio, tá rude. Bóra mexer essa raba gorda?”.
As críticas estão por toda a parte no seu trabalho. Sejam elas de cunho social, político, ou apenas deboches sobre a fama (que atinge, ironicamente, o próprio). Mas, apesar de muitas características relevantes e dignas de um ano inteiro de postagens aqui no blog, aquilo que, pra Tia Pêssega, é o ponto mais louvável nas intervenções feitas por esse gênio sem rosto, certamente fica por conta do “efeito Banksy”, que se desdobra em uma avalanche gigantesca formada por outros artistas, usando o grafitti, em uma maravilhosa e artística atitude de se combater o autoritarismo, seja ele de qual for a origem.
Aquilo que para as vós Nadir (ainda tinhãmo, vó!) pode ser considerado vandalismo, para Banksy possivelmente é a voz que todos nós precisamos, em forma de arte.
© Banksy.
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Por Evandro Roque Jacinto

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