Fotógrafo faz série sobre a beleza de envelhecer com sua mãe de 91 anos

Em tempos que você é aquilo que podemos ver, aceitar as marcas de uma determinada fase pode ser um pancadão bem do foderoso de se lidar. De alguma forma, queremos ser imortais. E encarar a efemeridade da vida, junto com a ideia de legado implantada como uma inception rebuceteante em nossas mentes – afinal, precisamos deixar algo concreto, né non!? – pode ser uma equação bem complexa pra todos que acreditam que a vida se resume a um único ciclo. Êta que eu tô toda trabalhada no misticismo.

Nosso prazo é datado e as cidades roubaram nosso horizonte. Já parou pra pensar que um infeliz endinheirado pode, simplesmente, comprar um terreno do lado de sua residência e contruir um pepinão de concreto com trocentos andares, roubando assim, o seu direito ao sol? Pois é, meu amô, o ditado popular ~o sol nasce pra todos, mas a sombra é pra poucos~ acabou implantando uma relação, no mínimo, irônica entre todos nós.

~Ah, tia, mas cê tá muito da locona e exagerada. O que caralhas d’água tem a ver o sol com envelhecer?~ balbucia você, leitor impaciente pela moral da tagarelância.

Rencá, e pensa comigo que 01) tô tipouan de enfiar qualquer moral nesse texto 02) vou ali colher umas pimentas pro almoço, porque graças ao nosso novo ritmo, as estações já não são mais definidas como antes 03) se as estações estão, hm, um tikito desreguladinhas, nossa noção de tempo já não é mais como a de nossos ancestrais que ainda possuiam uma conexão com a natureza e 04) *voz de Cid Moreira depois de fumar um maço de marlboro vermelho* o relóógiooo.

O mundo acelerou e nós, naturalmente, aceleramos juntos com ele. Temos pressa e não podemos nos dar ao luxo de cometermos erros, afinal, os prazos são curtos. Logo, perceber uma ruga nova e se desesperar com isso é facilmente compreensível. Só que compreender é beeeeeem diferentchy de simplesmente aceitar.
Envelhecer, na nossa máquina de enfiar rótulo em tudo quanto é canto, está associado, indireta e inconscientemente, a esperar pela morte. MAS PELA SANTA GRETCHEN, ONDE É QUE ENFIARAM TODA A ABORDAGEM ROMÂNTICA DE GANHAR BEBELINHOS BRANCOS?

 

Quedê?

Pois bem, meu biju açucarado, é justamente nessa beleza perdida que o fotógrafo Tony Luciani focou ao iniciar uma série de registros surreais com sua mãe de 91 primaveras. Quando deixou de ser capaz de cuidar de si mesma, o artista canadense-italiano – eike misturê diliça! – tomou a sábia decisão de, ao invés de apenas cuidar de suas necessidades básicas, incluir sua mãe em sua arte para que ela se sentisse mais produtiva.

“Quanto mais eu refletia sobre a história de minha mãe ao postar essas fotos nas redes sociais, mais as pessoas que viam as imagens expressavam uma profunda associação entre idade e demência(…) A vida não é sobre a espera de morrer. É sobre o desejo de viver.”

Tsáááá, meu bein!? Um lacre com cheirinho de vovó é ainda mais lacrante. E um lacre com cheirinho de vovó PLUS questionador de equívocos coletivo é… ai, sabe!? COMO LIDAR? C-O-M-O? <3

Confira essas belezocas:

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