E essas “Mulheres do Século 20”?

Estreou (demorou, mas estreou) nas terras tupiniquins no finalzinho de março o filme indicado ao Oscar 2017 na categoria de melhor roteiro original,  Mulheres do Século 20. Mas eu gosto de chamar de “o filme em que a academia esnobou a atuação de Annette Bening, mais uma vez”.

O longa se passa na década de 1970 e conta a trajetória de Dorothea (Bening, perfeita como sempre) e a relação com seu filho, que está crescendo e querendo se descobrir cada vez mais. Eles vivem em uma casa aconchegante e nunca vazia, algumas pessoas trabalham ali, algumas alugando um quarto, outras entrando de fininho no meio da noite sem ninguém perceber… Aquela velha história.

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Dorothea tem uma mente aberta, mas raramente comenta sobre coisas pessoais demais, como quantos cigarros anda fumando por dia. Isso incomoda bastante seu filho, Jamie (Lucas Jade Zumann), que está naquela fase de fugir com os amigos para assistir bandas punk e andar de skate o dia inteiro.

Dirigido por Mike Mills, responsável pelo atraente Toda Forma de Amor (2010), o longa traz as características mais interessantes de seus filmes anteriores: os personagens. O elenco tem Elle Fanning, Greta Gerwig e Billy Crudup, e os três tem boas performances, cada um com sua peculiaridade. Alguns ali rendiam um filme solo até.

O mais interessante é ver o contraste entre eles, são gerações completamente diferentes. As três mulheres principais tem personalidades bastante divergentes. A sequencia em que todos estão na mesa jantando e alguém começa a falar sobre menstruação mostra bem isso, sem contar a minha favorita, quando Dorothea compra um álbum do Talking Heads e tenta entender porque o filho gosta da música.

Não dá pra deixar de falar sobre a mensagem feminista que o filme passa (e sabemos que aqui o público é inteligente o suficiente para saber o conceito base do feminismo, não é mesmo, amiguinhos? Se não souber, dá aquela pesquisadinha antes de ler o resto do texto). Interessante ver que os dois homens da casa, William e Jamie, por mais que possuam perspectivas e um repertório bastante diferente um do outro quando se trata das mulheres, nenhum é desrespeitoso, ao contrário, eles param para ouvir e participar, principalmente Jamie, que por mais confuso seja em alguns tópicos, tenta se abrir com as mulheres a sua volta – claramente uma resposta para a falta de comunicação com a sua própria mãe.

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Mas o filme também não é feio de se olhar. Pode não ser muito criativo na sua direção, mas compensa com uma trilha sonora que casa muito bem, e o trabalho de cenografia é bem legal, principalmente na decisão das cores vibrantes da cozinha de Dorothea.

As Mulheres do Século 20 (ou 20th Century Woman, no original) é atraente e até justifica em alguns momentos sua indicação ao Oscar de melhor roteiro, mas vale a pena a assistida para conhecer os personagens, todos muito bons.

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