Gritos | Vida e vozes abafadas no teatro de bonecos humanóides da cia. Dos à Deux

Olar, pequenas betoneiras de saracuteios, ceis tão boa? Eu tô bem também, opricatan. Boa, entupida de café pra trabalhar com nosso abiguíneo foco, e ainda um pouco atordoada com o tsunami de ácido sulfúrico mental causado pela peça Gritos, em cartaz no CCBB, centrão de Sumpaula, até HOJE.

Fruto de uma pesquisa pautada no dizer-sem-dizer-verborragicamente da cia. frnaco-brasileira Dos à Deux, que retorna aos palcos 18 anos após a primeira montagem do grupo, o espetáculo tem acumulado críticas apaixonadas do público que se amontoava no hall do espaço gerido pelo banco que eu não sou obrigada a dizer o nome, porque néan… <cara de gaivota ressabiada & paranóica> Eu mesma estendi lieeenda minha canga e vendi minhas miçanga enquanto não tinha certeza se sobraria um lugarzito sequer pra assistir os bafo tudo. Mas graças a *insira sua entidade favorita aqui* consegui.

GRITO-processo-Renato-Mangolin-068

                                                                                                                                                           foto: Renato Mangolin

 

Dividida em três poemas gestuais metafóricos – o que pode, inicialmente, soar como o resultado do cruzamento de duas chinforínfolas, mas que ganha um sentido mais palpável logo nos primeiros minutos de espetáculo – a montagem se desenvolve através da subdivisão do amô, em algumas de suas facetas. Máscaras, vida, morte, aprisionamentos através da busca por liberdade e ideais de legado, são apenas algumas delas.

A ausência de falas, por sua vez, é substituída pelas partituras corporais de Artur Luanda Ribeiro e André Curti que, fundidas com bonecos criados pela russa Natacha Belova e Bruno Dante, desenham a dramaturgia em uma sequência de ilusionismo babadeira que deixaria Mister M todo #mordido e parecendo o fio do churrasco tirando moedas dazorelha de seu público que, na verdade, só quer ser feliz ao som do molejão, sápi!?

 

Na sinopse oficial, os dito cujo dos gritos são descritos da seguinte forma:

Grito 1: Louise e a velha mãe
Louise nasceu num corpo de homem, um corpo que ela não quer. O masculino e o feminino habitam o mesmo corpo: um sendo o fantasma do outro. São quatro pernas, duas cabeças e um jogo de ilusão, como se ela fosse uma marionete dela mesma. Ator e personagem jogando dentro de um labirinto de espelho e reflexo. Ela deseja ser invisível aos olhares dos outros, mas se choca sempre num turbilhão de preconceitos, intolerância e homofobia. A mãe de Louise, uma velha senhora doente, também invisível perante a sociedade, depende totalmente de seu filho (a) para existir como uma marionete prisioneira de sua cadeira. E apesar de depender de seu filho(a) o rejeita movida pelo puro preconceito e não aceitação do outro.

Grito 2:  O muro
 Um poema metafórico sobre o homem que perdeu a cabeça. Um muro os divide. A cabeça de um lado, dentro de uma gaiola, o corpo de outro. Sem saber se esse muro é real ou se imaginados por eles mesmos, o corpo e a cabeça executam uma dança onírica em busca de sua outra parte. Um poema gestual entre o sonho, o onírico e o absurdo.

Grito 3:  Amor em tempos de guerra
Numa atmosfera surrealista, uma mulher vestida de negro surge revelando sua beleza e seus gestos lentos. Ela é do Extremo Oriente. Partes do corpo de um homem, que está envolto com ela num mar negro de tecido, aparece lentamente. Uma dança de amor misteriosa começa, com som de bombas ao longe. Uma bomba interrompe a noite de amor e acaba com a vida do amante. Sozinha num mundo hostil de guerra, escondida da sociedade, dá vida a uma criança e continua a luta pela sobrevivência.

GRITOS-Dos-À-Deux-Teatro                                                                                                                                                          foto: Renato Mangolin

~Ain tiaaa, mas essa sinopse já entrega toda a peça. Spoilerzêra a sióra, viu~ balbucia você, leitor-a-x caçador de motivos pra justificarem sua pouca frequência nos teatros da vida. E eu pudiria ficar aqui tagarelando sobre como a sinestesia do teatro nocauteia cada um de formas diferentes ou, ainda, como o self, a abstração das abstrações mais abstratas do interior da psique cria uma rede infinita de possibilidades de interpretação pra cada estímulo, mas eu prefiro tirar minha tamanca e inclinar levemente meu pescoço com ar de posso arremessá-la a qualquer momento, dizendo sem dizer ~PÓ PARAR DE SER RESPONDÃO-ONA-X E VAI COLOCAR UMAS PEÇA NA SUA AGENDA DA MORANGUINHO A-C-Ó-R-A-N~ mesmo. E se conseguir assistir Gritos, faça esse favor pra você.

Bjas. De. Luz.

Ficha técnica
Concepção, dramaturgia, cenografia e direção: Artur Luanda Ribeiro e André Curti
Interpretação: Artur Luanda Ribeiro e André Curti
Pesquisa e realização objetos/bonecos: Natacha Belova e Bruno Dante
Assistente de realização objetos/bonecos: Cleyton Diirr
Criação Musical Grito 1: Fernando Mota
Colaboração: Beto Lemos e Marcelo H
Gritos 2 e 3
Direção Musical: Beto Lemos
Criação Musical: Marcelo H
Cenotécnico: Jessé Natan
Iluminação: Artur Luanda Ribeiro e Hugo Mercier
Figurinos: Thanara Schonardie
Contramestra: Maria Madelana Oliveira
Comunicação visual: Bruno Dante
Técnico de Luz : PH
Técnico de Som: Gabriel Reis
Contrarregra: Jessé Natan e Leandro Brander
Direção de Produção: Sergio Saboya
Produção executiva: Ana Casalli
Difusão – França: Drôles de Dames
Realização próteses: Dra. Rita Guimarães de Freitas
Fotos: Renato Mangolin

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *