Mulheres não querem pau, querem paz: Linn da Quebrada zera o ano com novo clipe ‘blasFêmea’

Se tem uma coisa que a história parece não corrigir, é a encalacração do falocentrismo. Do mundão nosso-de-cada-dia-que-nos-dai-hoje regido pelo membro masculino – visto estatísticas nos mais diversos setores que insistem em jogar na nossa cara que a luta pela igualdade de gênero ainda não é um tabu superado – passando pelo atual contexto de militâncias que se diminuem e evocam equívocos boçais como denominar qualquer movimento feminista como ~feminazi~, a não-só-mais-mc Linn da Quebrada surge como uma bomba artística em forma de terapia de choque mais que necessária para os tempos atuais.

Em sua página do facebook, Linn se denomina bicha, trans, preta e periférica. Nem ator, nem atriz, atroz. Bailarinx, performer e terrorista de gênero possivelmente na tentativa de diluir, mas assim, bem batidinho mesmo igual vitamina de abacate, tudo aquilo que encalacra todos nós. ~UÉ TIA, MAS VOCÊ NEM M’CONHECE PRA SABER O QUE ENCALACRA OU NÃO!~ balbucia você, pessegoso-a-x revolts que se sentiu invadidinho-a-x. E eu lirespondo: ué *reticênça* *reticênça* *reticença* e poracaso alguém gosta de ser reduzido a uma coisa só e guardar no funda da gaveta de calcinha laceada todas as possibilidades que o multi pode carregar? *cara de gansa esperanto a resposta que não vem* Pois eu digo que não. A Márcia, vizinha aqui do 407 também diz. A Linn em seu novo clipe blasFêmea diz nas metaforinha e nos papo reto tudo.

Em uma espécie de manifesto apocalítico jodorowskiano meets brasilidades-mil, a realidade tratada pelo vídeo pode até ser diferente da sua, mas a sensação se ver como objeto a ser consumido nessa pós-modernidád da coisificação é ooo… ooo… mé qui chama aquela jogada foderosona do Poker? Bom, é essa jogada, só que sem a parte da jogatina, do clipe. Aliás, dá um play nessa belezoca, que dipois a gente continua nossa conversa:

~Cê é louca mesmo né, Junior? (…) te amo do jeito que você é~ e ela, maravilhosa, sendo diva da sarjeta nesse ritual eterno de submissões em que tudo se resolve com, pelo e através da sabedoria do pau-varinha-de-condão-encantada, já é o momento desse 2017 que eu espero ver na retrospectiva de final de ano na gluóbo. Com direção e roteiro da própria artista, co-direção de Marcelo Caetano e participações lacradouras de Aretha Sadick, Jup Pires, Thais Nogueira, me diz se essa nocauteação de amor não era exatamente o que tava precisani, mas não sabia de que nome chamar? Era néan!? *rysas* *POOF vira morcega e sai voando* *lógico que não sai voando sua bobinha, fui só arear as panela*

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