Os debutantes: Aquele diretor que acertou de primeira.

Tem muito diretor por aí que demora anos para criar um filme que realmente mostre sua visão única para o mundo, mas existem aqueles casos em que o filme é tão bom que você nem acredita que foi o primeiro trabalho daquela pessoa atrás das câmeras.

Não que você não possa fazer um bom trabalho logo na primeira tentativa, mas na maioria das vezes é a tentativa que gera a perfeição. Por exemplo: Martin Scorsese (o pai de todos, e tenho dito) demorou uns 10 filmes preparando o bolo gostoso que seria seu Taxi Driver.

Então eu tava aqui tomando meu achocolatado com bolacha quando me pego pensando nisso. Então decidi listar aqui alguns filmes que eu ainda me surpreendo que foram o primeiro longa desses diretores. Vale lembrar que só vou considerar seus primeiros LONGAS, vamos deixar os curtas para outra lista, que tal?

E por mais que eu adore os recentes A Bruxa e Swiss Army Man, ambos de 2016, ainda precisamos esperar um pouco mais dos próximos projetos de seus diretores e ver se foi apenas dessa vez ou eles evoluíram e continuaram se reinventando (sabe, vai que é um Josh Trank da vida? O moço me faz um belo Poder sem Limites pra depois entregar aquela escarrada que foi Quarteto Fantástico).

Vamos logo começar essa listinha linda:

Sam Mendes com Beleza Americana (1999)

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Começando com um queridinho, vencedor de cinco estatuetas da Academia, atuações memoráveis de Kevin Spacey e Annette Bening, sem contar aquela cena que você já cansado de ver com a sacolinha plástica voando. Poucos acreditaram que este era o primeiro trabalho de Sam Mendes por trás das câmeras. O rapaz continuou com o bom trabalho e continua sendo um bom diretor com longas como Estrada para Perdição (2002), Away We Go (2009) e um dos melhores filmes da franquia 007, Skyfall (2012).


Spike Jonze
com Quero ser John Malkovich (1999)

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Se você não conhece o menino Jonze, provavelmente já esbarrou no seu trabalho sem saber. Ele fez muita, mas MUITA coisa antes de seu primeiro longa. Ele produziu e dirigiu curtas e clipes musicais para os Beastie Boys e a Björk antes de finalmente partir para a terra dos longas com o excelente Quero ser John Malkovich. Foi neste filme também que ele começou sua colaboração com um roteirista maravilhoso: Charlie Kaufman.

Juntos também criaram Adaptação (2002), estrelado por Nicolas Cage – quando ele estava mais interessado em atuar antes de qualquer outra coisa, lembra dos bons tempos?

Faz tempo que os dois se separaram. Kaufman decidiu arriscar e partir para a direção também, com Sinédoque, Nova York (1999), e Jonze continuou com o bom trabalho, concorrendo ao Oscar com a lindeza que foi Her (2013).

Andrei Tarkovsky com A Infância de Ivan (1962)

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Não seria surpresa que um diretor com uma habilidade extraordinária por trás da câmera como Tarkovsky teria uma obra prima logo na primeira tentativa. Depois de ótimos curtas e média metragens como O Rolo Compressor e o Violinista (1961), A Infância de Ivan acertou muitos com uma força que é maior do que a barra que é gostar de você.

Daí pra frente ele se tornou um dos diretores mais completos da história do cinema, com uma filmografia praticamente impecável de longas como Solaris (1972) e O Espelho (1975).

Brad Bird com O Gigante de Ferro (1999)

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Achou que eu não ia incluir uma animação nessa lista? Eu AMO uma animação, e se alguém tem um talento gigantesco para esse formato é Brad Bird. Vindo de programas como Os Simpsons, seu primeiro longa foi O Gigante de Ferro, que se você não viu está perdendo um filmão. E pra provar que não deu sorte na primeira, foi chamado pela Pixar para criar um projeto original, então tivemos Os Incríveis (2004). Não contente em dirigir um dos melhores filmes do estúdio, ainda veio com Ratatouille em 2007.

Bird usou sua imaginação e habilidade para desenvolvimento de personagens na direção de um dos filmes da franquia Missão: Impossível, com Protocolo Fantasma (2011). Uma pena ele ter seguido um longa tão divertido e cheio de ação bem executada dirigindo Tomorrowland (2015), que infelizmente foi uma decepção e muito abaixo do nível de qualidade que sabemos que Bird tem. Torcendo para seu próximo projeto ser tão bom quanto seus primeiros.

Sofia Coppola com As Virgens Suicidas (1999)

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Mais um de 1999, que ano! E com um sobrenome desses, você acha que a Sofia ia deixar barato? A moça já começou com uma voadora dirigindo As Virgens Suicidas, um ótimo filme com enredo e elenco de primeira. E logo na sequencia, manda um dos meus filmes favoritos, Encontros e Desencontros (2003), estrelado por Bill fucking Murray. Não chegou a lançar nada tão incrível depois disso, mas continuou uma boa diretora, lançando o divertido Bling Ring em 2013.

David Linch com Eraserhead (1977)

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Eu JAMAIS deixaria fora de qualquer lista esse gostoso com o penteado mais sensual do cinema. Lynch também veio de curtas e logo na primeira tentativa, mandou um Eraserhead, que trouxe todos para o bizarro mundo desse diretor, que logo estaria fazendo coisas como Veludo Azul (1986) e a perfeição em forma de filme, Cidade dos Sonhos (2001). Sem contar que o rapaz é um dos criadores de Twin Peaks, e como eu venero essa série, tenho que venerar Lynch. Amém, Lynch, amém!

Orson Welles com Cidadão Kane (1941)

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É claro que eu ia deixar esse para o final. Calma, sei que ele já fez um “quase longa” antes, Too Much Johnson (1938), mas tecnicamente seu primeiro filme, dirigindo e tudo foi esse que acabou sendo considerado por muitos o melhor da história do cinema. Está na maioria das listas de favoritos de todo mundo, surpreendeu o público e a crítica e continua sendo necessário para qualquer um que queira entender a linguagem do cinema e como ela pode ser bem mais do que apenas um entretenimento.

Tudo bem, eu trapaceei um pouco nessa última, mas é sempre bom mencionar Cidadão Kane, não é mesmo?

TÁ PERDOADA, TIA PÊ, TÁ PERDOADA!
“TÁ PERDOADA, TIA PÊ, TÁ PERDOADA!”

E aí, Pessegóide, o que achou?
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